c7nema interviews Clara Pais on The Kingdom Of Shadows (in portuguese)

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In the run-up to the Portuguese premiere of The Kingdom Of Shadows, Clara was interviewed by José Pedro Lopes for the film site c7nema, in our first portuguese interview. Here it is below.

 

 

Este sábado (19 novembro) pelas 22:00, o Cinema Passos Manuel acolhe a estreia nacional de The Kingdom Of Shadows, de Clara Pais & Daniel Fawcett. Filmado em Portugal com um elenco internacional, The Kingdom Of Shadows é um filme surrealista inspirado em sonhos, mitos bíblicos, alquimia e histórias de família.

 

O mais recente filme da dupla de realizadores Clara Pais e Daniel Fawcett, fundadores do Underground Film Studio, The Kingdom Of Shadows irá estrear no Porto num evento aberto ao público com a presença dos realizadores, da equipa e do elenco. A apresentação do filme será seguida de uma conversa com os realizadores em inglês. O evento, organizado em parceria com a Andrómeda – Agenciamento & Produção, é de entrada gratuita.

 

O c7nema entrevistou Clara Pais na véspera de estreia, falando um pouco sobre o que esperar de The Kingdom of Shadows.

 

Como surgiu a ideia de fazer este filme?

 

The Kingdom Of Shadows surgiu de um processo que já vem de há vários anos, logo após a nossa primeira colaboração, Savage Witches (2012), o Daniel e eu começamos a investigar os nossos sonhos intensivamente. Durante cerca de dois anos, todos os dias começávamos o dia a registar e contar um ao outro os sonhos que tínhamos tido, discutíamos as imagens que nos apareciam e tentávamos perceber a sua lógica interior, um processo que às vezes era desconcertante, mas também fantástico e incrivelmente transformador, que nos abriu imensas possibilidades criativas. A partir deste trabalho nasceram vários filmes e argumentos, como The Kingdom Of Shadows, que lida com mitos bíblicos, temas alquímicos e histórias de família. Até agora tínhamos produzido todos os nossos filmes no Reino Unido, mas já há algum tempo que queria vir fazer um filme em Portugal na casa da minha família que estava fechada há vários anos, e devido aos temas deste filme acabou por fazer sentido e foi muito simples fazê-lo acontecer.

 

 

O cinema ‘giallo’ é uma grande referência para vocês?

 

Gostamos muito de giallos, filmes como The Bird With The Crystal Plumage, Profondo Rosso e Lizard in a Woman’s Skin, são filmes de género que misturam de forma interessante suspense, crime e o sobrenatural com uma atmosfera sempre misteriosa e uma linguagem visual muito audaciosa e interessante, mas neste caso não foram uma influência para o The Kingdom Of Shadows. As raízes deste filme estão numa dimensão mais surrealista e poética do cinema, como os filmes da Nova Vaga Checoslovaca da Vera Chytilova por exemplo, os filmes de Jane Arden, Derek Jarman, Alejandro Jodorowsky e Raúl Ruiz. Nós adoramos cinema e vemos de tudo, arthouse europeu, Hollywood clássico e recente, b-movies, cinema experimental e underground, todos os cantos do cinema são mágicos!

 

 

Como foi a produção do filme? Como foi financiado?

 

Foi um processo maravilhoso fazer este filme aqui, a maioria das filmagens foram feitas nesta casa de família que tem um ambiente muito especial, como se tivesse ficado parada no tempo. A maior parte das filmagens decorreram durante cerca de uma semana, trouxemos pessoas com quem queríamos trabalhar de vários países europeus e também encontramos gente muito especial no Porto. Nenhum dos elementos do elenco é actor profissional, mas todos são artistas e performers, bailarinos, cineastas, artistas de banda desenhada, todos com o seu próprio trabalho e disciplinas diferentes. Felizmente todos eles se entusiasmaram com este projecto e se entregaram completamente, e foram fantásticos! Também filmámos na Serra da Freita, um lugar lindíssimo com muito potencial cinematográfico, e fizemos algum trabalho de estúdio num espaço que nos foi cedido por uma associação cultural. A música também foi feita cá em colaboração com vários músicos portugueses. O filme foi financiado a partir de crowdfunding e patrocinadores privados.

 

 

Quais os vossos objetivos para o projecto agora que ele vai estrear?

 

O filme teve a estreia mundial no Cambridge Film Festival em Outubro e agora a estreia em Portugal vai ser dia 19 de novembro no Cinema Passos Manuel no Porto. Na próxima Primavera vamos fazer uma tour pelo Reino Unido e Irlanda a mostrar o filme em cinemas e cineclubes de várias cidades e planeamos fazer o mesmo em Portugal ao longo de 2017, estamos a falar com vários espaços para organizar a distribuição.

 

 

Há em Portugal espaço – e espaços – para cinema como este?

 

Portugal é um sítio fantástico para fazer cinema, até agora estávamos sediados principalmente no Reino Unido mas decidimos estabelecer o nosso estúdio em Portugal e começar a produzir a maior parte do nosso trabalho aqui. O interesse pelo cinema também parece estar a crescer aqui nos últimos anos e felizmente há cada vez mais espaços abertos a vários tipos de cinema, é uma altura muito interessante! Mas não devemos esquecer, o cinema é uma linguagem universal e não tem de se limitar por fronteiras geográficas.